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Comando de greve radicaliza

Mar/2010

Francine Taberti
 

Admiração, indignação e decepção. 

É com grande pesar que comunico minha indignação por ter conhecido pela primeira vez desde que entrei no Estado um comando de greve. Acho um absurdo que pessoas que se dizem educadores se prestem a um papel como este. O linguajar pior que o dos adolescentes, as atitudes tão infantis e agressivas quanto a dos alunos... Se alguém me contasse que um grupo de professores estava na frente de uma escola com som alto e microfone ofendendo uma colega de trabalho, tentando manipular alunos e chutando a porta para entrar, eu jamais acreditaria, mas eu tive que ver isso com meus próprios olhos para saber que isso acontece.

Na minha opinião, esta greve não é pela Educação, afinal, não é apenas aumentando o salário do professor que os alunos aprenderão mais, afinal, enquanto não tivermos condições de trabalho dignas, salas com no máximo 20 alunos, bem iluminadas, limpas, bem ventiladas e frescas, a aprendizagem tende a piorar mesmo! Se um professor ganha R$ 1.000,00 ou R$ 2.000,00, ele não vai ensinar mais. Ridículo fazer uma associação dessas! Claro que também não estou satisfeita com meu salário, mas acredito que não é fazendo greve do mesmo jeito desde o século XVIII que as coisas vão mudar. O mundo mudou, vamos mudar o jeito de nos manifestar.

E tem mais: quando eu prestei o concurso (afinal sou efetiva e tenho aula todos os anos, sem precisar esperar 200 dias), eu li no edital o salário e concordei com ele. Eu sabia o quanto ia ganhar. Agora eu reclamo? Qual é o sentido? Eu tenho consciência de que tenho capacidade para ter outra profissão, mas estou na Educação Pública por um ideal, por um desejo, por um sonho, não pelo dinheiro! Apenas preciso do dinheiro para viver, mas não acho que vou ficar rica lecionando.

Provavelmente todos aqueles colegas que hoje me ofenderam devem ser os mesmos que chegam numa reunião de HTPC ou na sala dos professores achando que os alunos não tem educação, não tem modos, não sabem falar, põem apelidos nos seus alunos, torcem por um feriado para não ver os "diabinhos", "pestinhas" e outros mais que me envergonho em dizer! São um bando de infelizes!

Se esta greve tivesse sentido e fosse pela Educação, eu seria a primeira a parar e me rebelar, mas sinceramente, esta greve em nada contribuirá para a melhoria na Educação.

Tenho quase certeza de que cada imbecil que ali estava hoje deve estar esquentando a cadeira de um partido político da oposição.

E podem continuar falando... bando de ignorantes que não merecem nem o título da mais nobre profissão que há no mundo: Professor.

Ah! E repetindo uma frase típica de professor: o direito de um termina quando começa o direito do outro.

Agora vou dormir, afinal, amanhã tenho que fazer aquilo que há duas semanas muitos não fazem: DAR AULA!