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E a greve? |
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Mar/2010 |
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Não é fácil convencer algum professor a dar uma entrevista, principalmente se o assunto é greve ou crítica ao sistema de ensino, pois até há alguns meses vigorava um inciso no Estatuto do Funcionário Público que o proibia de fazê-lo abertamente. Há alguns meses, porém, esse inciso foi revogado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, mas como gato escaldado tem medo de água fria, os professores ainda ficam temerosos de expor suas opiniões. Com alguma insistência, conseguimos convencer uma professora a iniciar esse debate. Vamos chamá-la por um pseudônimo japonês para não expô-la.
Site: Professora Ina Yamamura, muito obrigado pela entrevista. Na sua opinião, o que justifica a greve atual que atinge um grande número de professores no interior do Estado, um número aparentemente menor na Capital e poucos na nossa escola?
Profa. Ina Yamamura: Há mais de uma semana, foi decidida greve pelas categorias dos professores, funcionários e diretores de escolas, pois pais, alunos ou qualquer envolvido com a escola, sentem que, apesar dos materiais novos, a queda na aprendizagem continua. Isto por vários motivos: não há funcionários suficientes na escola, gerando um caos diário; a escola inteira sofre com o vai e vem de diretores, que a cada ano impõem ritmos completamente diferentes sobre a cabeça dos professores; e, da mesma forma, os professores de contratos temporários são trocados ano a ano de escola, o que é terrível, pois a aprendizagem do aluno fica picotada, sem um fio de continuidade e confiança, tão importantes para o aprendizado. Por que não temos todos os professores com contratos estáveis? Isto seria o óbvio, mas para o Governo é mais cômodo e barato não criar vínculos estáveis com seus trabalhadores. Mas os pais de nossos alunos que vivem por contratos temporários (normalmente precários) sabem o quanto eles pioram nossas vidas. Mas o Serra disse que professor ganha muito, não? Não! Faz 12 anos que não conseguimos reajuste. O salário mínimo dobrou de 250 para 500 reais e os professores continuam ganhando aproximadamente R$ 1.000,00 por 20 aulas semanais. A maioria dos professores hoje trabalha cerca de 40 horas por dia para sobreviver, isso prejudica diretamente o ensino, pois o professor sem tempo para estudo, chega em aula cansado, sem preparo e sem corrigir os trabalhos dos alunos, que ficam sem saber se estão indo bem ou mal, pois não há tempo para uma atenção individual numa sala de 40 alunos. Há professores que têm gana de correr atrás disso, se sacrificam pelo ensino, mas a educação não deve depender de alguns. O Estado tem que garantir as condições mínimas para um ensino de qualidade em todas as escolas, sejam de periferia ou do centro. Que os bons professores não sejam alguns, mas todos. É por isso que estamos em greve e convidamos a todos os alunos e pais para se solidarizarem com o nosso movimento e se mobilizarem para também influir no curso dele, pois talvez diga mais respeito inclusive a vocês do que a nós. Sabemos que a direção de nosso sindicato (APEOESP) tem interesses de não ir até o final na luta, mas por isso mesmo, precisamos ainda mais do apoio de todos para enfrentá-la e impor ao governo uma mudança real para a escola pública hoje.
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