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O perigo das redes sociais nas relações de consumo

Mai/2010

De 26 a 28 de maio realizou-se em São Paulo, no Auditório da Associação dos Advogados de São Paulo, Rua Álvares Penteado, 151, no Centro Histórico, o 26º Encontro de Defesa do Consumidor do Estado de São Paulo, com o tema: "Código de Defesa do Consumidor – 20 anos: Os Avanços e os Novos Caminhos.

O evento foi voltado aos dirigentes e funcionários de Procons Municipais, Estaduais, membros do Ministério Público, Advogados, Magistrados, Procuradores, Universitários, representantes de entidades civis de defesa do consumidor, fornecedores, dentre outros, e consistiu de debates nos dias 27 e 28.

O site da escola esteve lá acompanhando o painel sobre as redes sociais na evolução das relações de consumo. Participaram da mesa: Roberto Meir, Publisher da Revista Consumidor Moderno; Polyanna Carlos da Silva,  Advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - PROTESTE; Luiz Fernando Marrey Moncau, Professor da Fundação Getúlio Vargas - RJ e Márcio Schusterschitz da Silva Araújo - Procurador da República.

Os participantes destacaram que redes sociais como: Orkut, Facebook e Twitter, entre outras, não cobram pelo acesso e uso, então de onde vem o dinheiro para pagar as centenas de funcionários e infraestrutura que possuem?

Vejamos algumas notícias que esclarecem um pouco o caso:

 

A vice-presidente de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, anunciou, no final de 2009, que busca um mercado publicitário maior do que o de publicidade vinculada a buscas na Internet, e que criou um plano para reforçar suas receitas por meio de anúncios em novos formatos dirigidos aos seus 300 milhões de usuários. Sandberg informou que o site adotaria estratégia semelhante à do Google, na qual a publicidade tem formato semelhante às buscas.

Em notícia publicada no portal R7, o sistema de publicidade anunciado pelo Twitter não agradou os internautas. O Twitter revelou sua estratégia para ganhar dinheiro, integrando progressivamente mensagens promocionais, pagas por anunciantes, às páginas iniciais dos usuários. As mensagens "serão pagas pelas empresas ou organizações que quiserem ampliar o grupo de usuários que receberem o anúncio", diz o site, em seu blog oficial. Para o analista Josh Bernoff, do escritório de marketing Forrester Research, – as pessoas não vão desistir do Twitter por causa disso. - É inevitável: a tecnologia precisa lucrar.

Quanto ao Orkut, segundo a revista INFO Online, a rede social mais popular do Brasil, o anúncio de uma loja de material esportivo na tela de saída é a publicidade mais agressiva já exibida na rede social do Google, que permaneceu anos sem exibir anúncios e, depois, passou a exibir pequenas caixas de publicidade e links patrocinados.

 

O perigo das redes sociais para o mercado de consumo é que como os usuários preenchem um cadastro com informações pessoais, permanecem conectados por muito tempo e comunicam-se com muita gente, todo o tráfego, conteúdo e informações dos usuários podem ser utilizados pelos controladores da rede social para traçar o perfil de cada um dos usuários e vendê-lo para as empresas, que terão uma forma de atingir o seu público alvo com precisão cirúrgica.

Parece ficção-científica, mas não é! Imagine que você teclou com alguns amigos sobre estar a fim de comprar uma câmera digital e, para sua surpresa, aparece justamente um anúncio mostrando a câmera dos seus sonhos em suaves prestações no cartão de crédito. Como resistir? Ou algo mais simples ainda, como aparecer sempre anúncios publicitários de acordo com a faixa etária ou sexo assinalada no cadastro, fazendo com que a publicidade que você vê enquanto tecla com os seus amigos seja diferente daquela que o seu pai ou sua irmã vê enquanto teclam com os deles.

Esse tipo de estratégia de Marketing não tem nada de inocente e em alguns casos pode até ser criminoso, pois permite que as empresas utilizem das suas fraquezas contra você, como por exemplo, traçando o seu perfil de compras em lojas on line para lhe enviar anúncios de novos lançamentos que serão irresistíveis para você, podendo, inclusive, cobrar um preço diferenciado por perfil de usuário, pois se a venda é feita de forma irresistível para um determinado perfil, aqueles consumidores não se negarão a pagar um preço mais alto, pois não perderão tempo fazendo pesquisa de preços, mas comprarão imediatamente.

Os publicitários e profissionais de marketing sempre se esforçaram para nos persuadir a comprar determinados produtos, entretanto, estão surgindo ferramentas tecnológicas que se tiverem o uso disseminado podem fazer com que os consumidores fiquem à mercê dos grandes anunciantes.