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A E. E. Pereira Barreto e a Revolução Constitucionalista de 32

Jul/2010

Cartaz usado durante a Revolução de 1932

O feriado paulista de 9 de julho foi instituído pela Lei Estadual nº 9.497, de 5 de março de 1997, para fixar como data magna do Estado de São Paulo o dia da deflagração da Revolução Constitucionalista de 1932.

Em 1932, a nossa escola funcionava no prédio da Rua Antonio Raposo, onde atualmente está a E. E. Anhanguera, mas o que pouca gente sabe é que o patrono da E. E. Anhanguera foi escolhido por causa do alto-relevo em gesso que se encontra na entrada do prédio atual da E. E. Pereira Barreto, na esquina das Ruas Clélia e Nossa Senhora da Lapa, que foi construído nos anos 1940.

Ocorreu que, em 1948, na cerimônia de inauguração da nova escola pública do bairro da Lapa, o então Secretário da Educação, Sr. Fernando de Azevedo, percebeu os dois painéis na entrada do edifício: o da esquerda, em homenagem à Educação e a Religião, com a figura do Padre José de Anchieta catequizando os índios, e o da direita, em homenagem ao espírito empreendedor paulista, com a figura do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, mais conhecido como, Anhanguera.

Padre José de Anchieta catequizando os nativos O bandeirante Anhanguera na mata

Fernando de Azevedo resolveu escolher o nome do bandeirante para patrono, pois o padre Anchieta já tinha sido escolhido para patrono de outra escola no Brás. Surgiu, então, o Grupo Escolar Anhanguera, que ao invés do ginásio, como previsto originalmente, atendia o ensino primário.

Nessa época, o Grupo Escolar Pereira Barreto ainda funcionava no endereço original da Rua Antonio Raposo, mas em 1957, por motivo ainda desconhecido, as duas escolas trocaram os endereços. O Grupo Escolar Pereira Barreto passou, então, a funcionar no prédio da Rua Nossa Senhora da Lapa e o Grupo Escolar Anhanguera, na Rua Antonio Raposo.

Essas duas escolas estaduais, portanto, estão ligadas a esse 'espírito empreendedor paulista', muito embora a figura dos bandeirantes, pelo comportamento violento e do empreendedorismo voltado à captura e tráfico de índios para a escravidão esteja desgastado atualmente.

Entretanto, nos anos 40, vivia-se sob o regime autoritário Vargas, com o Estado de São Paulo ainda sob intervenção Federal e os construtores do edifício da nossa escola: o industrial Hermano Marchetti e o advogado Dr. José Getúlio Lima conseguiram uma forma de homenagear o povo de São Paulo sem ofender o Governo Federal e ao invés de homenagear alguma figura relativa diretamente à Revolução Constitucionalista de 1932, prestaram homenagem através da figura do bandeirante, pois assim como os revolucionários de 32 conseguiram vários dos avanços políticos presentes na Constituição de 1934, o avanço dos bandeirantes paulistas ao interior do continente em busca de índios e riquezas, ampliou o território brasileiro, ou seja, tanto os bandeirantes quanto os revolucionários eram paulistas, mas beneficiaram o Brasil como um todo.

Não é à toa que a Bandeira Paulista seja a única bandeira estadual a possuir o mapa do Brasil em destaque, pois foi proposta, pelo jornalista Júlio Ribeiro, em 1888, logo após a abolição da escravidão, para ser a Bandeira do Brasil e suas cores representam à composição da população brasileira de pele, branca, preta e vermelha e o trabalho de conquista do território nacional feito pelos bandeirantes. Foi adotada como símbolo dos paulistas durante a revolução de 32.