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Prédio da E.E. Pereira Barreto tombado pelo Conpresp
 

Mai/2009

O Estado de São Paulo - 13/5/2009

Vitor Hugo Brandalise
 

Tanto o edifício atual da E. E. Pereira Barreto na Rua Nossa Senhora da Lapa, quanto o antigo da Rua Antonio Raposo foram tombados pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico,Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp). Abaixo matéria na íntegra sobre o assunto publicada no jornal O Estado de São Paulo do dia 13 de maio de 2009. Para baixar a página clique aqui.

 
 

Após mais de nove meses de discussão, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico,Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) decidiu ontem excluir do processo de tombamento 23 imóveis na região da Lapa, zona oeste da capital. Na mesma reunião, aprovou tombamento de outros 17 imóveis, incluindo o Mercado Municipal da Lapa, a Estação Ciência, o Sesc Pompéia e a Casa de Guilherme de Almeida, em Perdizes.

Os imóveis entraram na pauta do conselho por indicação popular, em audiências públicas nas 31 subprefeituras, durante a elaboração dos Planos Regionais Estratégicos, em 2004, como Zona Especial de Preservação Cultural (Zepecs). Conforme o Estado revelou em agosto do ano passado, a exclusão dos imóveis do processo de tombamento libera cerca de 1,5 milhão de metros quadrados, que estavam, desde 2004, impossibilitados de serem utilizados pela construção civil.

A maior parte dos bens excluídos fica perto da chamada “Lapa de baixo”, nos arredores da linha férrea usada pela empresa de cargas MRSe pela Companhia Paulista de Trens Metropolitano (CPTM) – exatamente a área em que está prevista a Operação Urbana Vila Leopoldina - Jaguaré, cuja intenção é levar cerca de 175 mil pessoas à região degradada da Lapa.

O valor histórico dos imóveis excluídos, principalmente galpões e casarões da primeira metade do século passado, é contestado por especialistas e pela Secretaria da Cultura desde as primeiras reuniões, no ano passado.

“As análises foram minuciosas, para separar o que tinha valor histórico”, afirma o presidente do Conpresp, JoséEduardo de Assis Lefèvre. “Havia casos em que os imóveis indicados para tombamento nem existiam mais ou que estavam descaracterizados. Não poderíamos tombá-los assim. No total, foram excluídos do processo de tombamento oito conjuntos de casas e sete de antigos galpões.“ "Há imóveis abandonados, cuja utilização já não é absolutamente a que foi prevista. É natural que, agora, seja encontrado um novo uso, seguindo o zoneamento proposto pela Prefeitura”, disse Lefèvre.

Para entidades de defesa da região, a decisão do conselho, que abre caminho para novos empreendimentos imobiliários, vai mudar a cara do bairro.

“Ficaclarooobjetivodedesobstruir as proximidades da linha férrea, exatamente o ponto de ligação entre duas operações urbanas,a Água Branca e a Leopoldina - Jaguaré. Com espigões próximos da ferrovia, a Lapa histórica, dos trens e dos operários, será completamente esquecida”, afirma a geógrafa RosMary Zenha, integrante do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente na Lapa.“Na lista dos bens tombados há duas igrejas, três colégios, o Mercado da Lapa (veja lista abaixo), somente as grandes unanimidades, e não há quase nada da Lapa histórica. O projeto deveria ser de preservar e recuperar o que caracteriza o bairro e não liberar esse espaço para demolição.”

Entre os imóveis excluídos estão reivindicações antigas de moradores do bairro, como a vidraria Santa Marina – atual Saint Gobain Vidros –, fundada em 1896 na Avenida Santa Marina, e o galpão industrial da Fábrica de Tecidos e Bordados da Lapa, na Rua Engenheiro Fox, uma das mais antigas da região, que mantém elementos de época, como as grandes janelas basculantes originais. A justificativa, segundo relatórios técnicos do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), é “falta de valor arquitetônico que justifique a preservação”.

Como tentativa de preservar uma parte da área baixa da Lapa, o Conpresp adiou a decisão sobre 11 imóveis, no eixo entre a ferrovia e o Rio Tietê, também enquadrados como Zepecs na revisão do Plano Diretor, em 2004. “Avaliamos que manter algumas casas, simples, mas que representam o cotidiano operário do bairro no início do século passado, é o suficiente para preservar as características fundamentais do bairro”, disse Lefèvre. A próxima reunião, que deve definir o futuro dos imóveis restantes, ainda não tem data definida.

Entre os 17 imóveis tombados na Lapa, há diferentes perfis – de igrejas a viaduto, de colégios de construção centenária a galpões industriais das primeiras décadas do século passado.

“Foram escolhidos para tombamento imóveis de características diversas, para conservar a Lapa operária, a Lapa da cultura, a Lapa das igrejas frequentadas pela comunidade, um pouco de tudo”, justifica o presidente  do Conpresp, José Eduardo de Assis Lefèvre.

No campo cultural, foram tombados os edifícios da unidade do Sesc Pompeia, inaugurada em 1982, com projeto de Lina Bo Bardi, nos galpões que abrigavam uma fábrica de tambores e geladeiras. Inicialmente conhecido como Sesc Fábrica da Pompeia, a unidade mantém estruturas originais, com tijolos aparentes e amplos galpões abertos, que hoje abrigam choperia e palco para shows, espaço para exposições e oficinas.

Também foi tombado o museu biográfico e literário Casa Guilherme de Almeida, em Perdizes, adaptado na residência simples, construída em 1946, onde o poeta modernista viveu grande parte da vida. O museu, que conta com importante acervo de obras de arte – quadros de Di Cavalcanti, Lasar Segall, Anita Malfatti, além das primeiras edições dos livros do poeta, entre 6 mil volumes no total –, está fechado desde setembro de 2006,quando interrompeu a visitação para reforma, que até agora não saiu do papel.

O Mercado Municipal da Lapa, fundado em 1951 com apenas 40 boxes – hoje são cerca de 160 –, também está na lista, ao lado do Viaduto Pacaembu, única obra viária tombada ontem.

No mesmo processo, foram excluídos de tombamento as Pontes do Jaguaré e Atílio Fontana. “O Viaduto Pacaembu tem arcos e ornamentos característicos de obra de arte, coisa que as pontes, meras construções de acesso viário, não têm”, afirma Lefèvre.

Outro conjunto de edifícios tombado ontem foi a Estação Ciência, da USP, construída nos galpões de uma tecelagem da década de 1910 e utilizados como posto de sementes da Secretaria da Agricultura do Estado até 1987, quando foram adquiridos pela universidade. Hoje, abriga exposições e atividades científicas. No campo religioso, foram tombadas as Igrejas de Nossa Senhora da Lapa e São João Maria Vianney, além do Instituto Rogacionista, na Avenida Santa Marina.

Entre administradores dos imóveis tombados,a notícia chegou como novidade absoluta.

“Nem sabíamos do processo por indicação da população. Quero ver como vai ficar nossa reforma, vai demorar ainda mais”, disse o diretor do museu Casa Guilherme de Almeida, Marcelo Tápias. “Deveriam esclarecer melhor.”

 

Edifícios Tombados

 

● 1. Casa Sede da Corporação operária musical da Lapa – Rua Joaquim Machado, 99.

● 2. Fachada da antiga fábrica de tubos de barro – Avenida Santa Marina, 372 e 394.

● 3. Fábrica Companhia Melhoramentos – somente construção existente na esquina da Rua Tito, 479 com a Rua Spartaco, 685.

● 4. Colégio Guilherme Kuhlmann – Largo da Lapa, 124.

● 5. Escola Estadual Pereira Barreto – Rua Nossa Senhora da Lapa, 615.

● 6. Casarão de Henrique Dumont Villares – Rua Marselha, 45.

● 7. Igreja São João Maria Vianney – Praça Cornélia, s/n.º

● 8. Casa Guilherme de Almeida – Rua Macapá, 187.

● 9. 3 Galpões da Antiga Cooperativa de Cotia – Avenida Kenkiti Shimonoto com Avenida Jaguaré.

● 10. Estação Ciência – Rua Guaicurus, 1.270 a 1.474.

● 11. Mercado Municipal da Lapa.

● 12.Edifício do Instituto Rogacionista – Avenida Santa Marina, 534.

● 13. Igreja Nossa Senhora da Lapa – Rua Nossa Senhora da Lapa, 298.

14. EEPSG Colégio Anhanguera – Rua Antonio Raposo, 87.

● 15. Edifício Galpão Industrial – Rua Padre Chico, 780.

● 16. Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93 com Rua Barão do Bananal, s/nº.

● 17. Viaduto General Olímpio da Silveira – Viaduto Pacaembu.