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Despedida do Prof. José Antonio - Filosofia

Abr/2009

Prof. José Antonio deixa a sala de aula.

 

A partir do segundo bimestre, o professor José Antonio irá se afastar das aulas de filosofia na nossa escola. Segundo ele, foi uma decisão muito difícil, haja vista o quanto ele adora os alunos e dar aulas pra eles, mas com  a mudança na grade curricular ocorrida este ano, a situação profissional do professor ficou muito difícil.

 

Mensagem do professor

 

Pra começar, eu não gosto de despedidas.

Tem gente que às vezes não sabe onde colocar as mãos quando está sem jeito, mas eu não sei onde me colocar inteiro quando estou assim. Sinto-me tão ridículo e deslocado quanto ficaria se fosse forçado a cantar aquela música sobre despedida da Jane e do Erondi: - Não se vá. Não me abandone, por favor...

Não que eu não goste das pessoas ou não queira que as pessoas gostem de mim. Muito pelo contrário. Mas é que não lido muito bem com rompantes de sentimentos e conseqüentemente não sei como agir nessas ocasiões.

Ainda bem que não estarei vivo no meu velório. Abominaria ter que ver as pessoas chorando ou fazendo cara de pata choca; imagine se defunto tivesse expressão! A minha provavelmente seria de choro e cara de uva passa – deve ser é muito humilhante morrer assim! Cena digna de kabuki misturado com carpideiras nordestinas. Isso lá é lembrança que eu quero que tenham de mim? O pior é que se eu chegar com essa cara de derrotado lá com São Pedro é provável que ele me dê com a porta na cara.

Não! Definitivamente, despedidas não!

Foi por isso que, apesar de parecer indelicado, eu resolvi não avisar os meus queridos alunos com antecedência sobre a minha saída da escola. Muitas despedidas seriam um tormento.

Imagine o tamanho do mico de contar de sala em sala que eu ia sair e ter que encarar aqueles quarenta pares de olhinhos me interrogando com cara de “ué?”. Se o piso não fosse de concreto e eu pudesse cavar um buraco e me enterrar, tudo bem, mas, encarar todo mundo sem colete à prova de choro e pilhas de lenço de papel, nem pensar.

Eu admito: sou chorão, mas tenham piedade e não forcem a barra, pois na minha idade e macheza é muito humilhante admitir isso!

Prefiro lembrar dos olhos de esperança, de alegria e dúvida dos meus queridos alunos e das brincadeiras e conhecimentos dos meus amigos de trabalho. Sentirei falta de todos, mas os levarei junto comigo para onde quer que eu vá.

Além do mais, saio só da sala de aula, pois continuarei atualizando o site da escola e aparecendo de vez em quando para fazer trabalhos voluntários.

Não pensem que se livraram de mim!