| 100 anos de história  |  Diretoria  |  Coordenação  |  Secretaria  |  Professores  |  Calendário  |  Fale conosco  Localização

Vídeo resumo

Prefácio

Fundação

1° Endereço

Pereira Barreto

Lafayette

Cápsula

Prof. Midon

Anhangüera

2° Endereço

Hospício

Entrevistas

Hino

Fotos

Diretores

Professores

 

Prefácio

 

Antigamente, mas não há muito tempo, já que eu não sou tão velho assim, quando o professor pedia uma pesquisa sobre algum personagem histórico, eu torcia o nariz e fazia cara feia, pois não via sentido em procurar informações sobre uma pessoa que tinha vivido em outra época, porém, à medida que eu pesquisava e lia sobre os acontecimentos da vida dela - o quanto tinha sofrido, sido corajosa ou inteligente, surgia algo em mim que fazia com que me interessasse cada vez mais.

Pesquisando a história da nossa escola não foi diferente. Aqueles personagens que surgiam a cada página que eu virava nos arquivos da escola, aos poucos iam ganhando cores e tornando-se meus amigos. Ta bom, eu sei que parece estranho dizer que fiz amizade com nomes escritos em um papel, mas não consigo definir de outra forma. Quem sabe se eu explicar...

Procurando nos livros de exames finais, por exemplo, encontrei uma infinidade de nomes de alunos e professores que freqüentaram a nossa escola desde 1909. Na primeira página, do primeiro livro (abaixo) aparece a inscrição de abertura que foi escrita, datada e assinada pelo primeiro diretor da escola: José Augusto de Azevedo Antunes. Mais tarde descobri que a praça em frente à escola tem o nome dele em sua homenagem.

Se eu não tivesse visto o documento, talvez esse nome fosse apenas um dentre muitos diretores que passaram pela nossa escola, mas tendo visto a letra dele e o resultado do seu trabalho por páginas a fio, não tive como não admirá-lo e percebê-lo como pessoa.

Outras vezes eu me pegava torcendo por um aluno que havia sido o único reprovado da turma em um determinado ano. Imaginava a situação dele, o choro, a decepção dos pais, mas no livro seguinte lá estava ele aprovado com louvor. Certamente ele havia superado o percalço e seguido em frente mais forte. Que tarefa nobre que é formar pessoas!

Tão nobre que na ata final de 1950 (abaixo), assinada pela diretora Sílvia Villaça Primo encontrei uma homenagem a duas professoras que haviam conseguido cem por cento de aprovação dos seus alunos nos exames finais.

“... Nada mais havendo a tratar, foi proposto um voto de louvor à professora Bessie Edith que há dois anos vem alcançando 100% de promoção e a professora Dalva Faleiros de Carvalho que há dois anos vem conseguindo 100% de alfabetização. Ao mesmo tempo, pretendendo a diretora do estabelecimento se aposentar ainda este ano pede que deixe consignado nesta ata um agradecimento sincero pelo alto espírito de responsabilidade que sempre animou o corpo docente deste estabelecimento de ensino, pela eficiência e amor ao trabalho das suas esforçadas e distintas colaboradoras, o que permitirá criar para um estabelecimento tão novo como o nosso um alto conceito entre as autoridades do ensino e a população do bairro da Lapa”.

Podem até dizer que eu tenho o coração mole ou que eu fique sensibilizado com essas histórias por ser professor. Mas acho difícil alguém não se identificar com o brilhantismo e esforço despendidos por essas pessoas para alcançarem seus objetivos, pois isso é algo que independe da época e do lugar. Todas as pessoas têm dificuldades ao longo da vida e têm de aprender a superá-las - o arquétipo do herói está em cada um de nós.

Infelizmente, a maior parte dos heróis ficou perdida nas páginas do tempo e não alcançou a imortalidade de Aquiles e Odisseu, entretanto, como diria Walter Benjamim, temos o dever de salvar os mortos e de preservar os seus discursos, pois a história deles completa a nossa própria história. Sendo assim, espero que este trabalho sirva tanto para nos unir aos nossos antepassados quanto aos nossos contemporâneos e que algum dia, quem sabe, algum historiador faça um trabalho sério com os nossos documentos, portanto, é preciso preservá-los.

Prof. José Antonio Rodrigues Porto - Janeiro de 2009